
As denúncias de violações de direitos humanos em São João del-Rei quase dobraram em um ano. Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos (ONDH) mostram que o município registrou 214 denúncias e 1.509 situações de possível violação de direitos por meio do Disque 100 entre janeiro e junho de 2026.
Na comparação com o mesmo período de 2025, houve aumento expressivo nos registros. Até junho do ano passado, haviam sido contabilizado 115 denúncias.
Os registros envolvem diferentes grupos vulneráveis. A violência contra crianças e adolescentes lidera o número de denúncias no município, com 69 registros, seguido por casos envolvendo pessoas idosas, com 66 denúncias.
Em análise aos dados, o delegado da 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil de São João del-Rei, Dr. Giovani Aihara, comenta que “quando as comunicações são direcionadas à Polícia Civil de Minas Gerais e aportam na Delegacia Regional de São João del-Rei, todas são devidamente analisadas, verificadas e apuradas. Conforme o caso concreto, são realizadas as diligências investigativas necessárias para confirmar ou afastar os fatos noticiados.”
O delegado acrescenta que, após a apuração, a Polícia Civil informa ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania se a denúncia foi procedente ou não, além das providências adotadas em cada caso.
Sobre o crescimento das denúncias, o Ministério Público, por meio da 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de São João del-Rei, avalia que “o crescimento no número de registros pode estar relacionado a múltiplos fatores, tais como maior visibilidade das políticas públicas de proteção, ampliação dos canais de denúncia e incremento na conscientização da população quanto à importância de relatar violações de direitos.”
Tanto o delegado quanto o MP ressaltam que o aumento das denúncias não permite concluir, por si só, que houve crescimento das violações de direitos humanos. O Ministério destaca que esse cenário pode refletir maior confiança nos mecanismos de denúncia, enquanto o delegado observa que nem todas as denúncias são confirmadas após a apuração e que parte dos casos não configura infração penal.