
Entre as campanhas que marcam o mês de maio, destaca-se a Luta Antimanicomial, que em 2026 celebra 25 anos da lei da reforma psiquiátrica no Brasil. A legislação promoveu a substituição dos manicômios pelos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), e representou um importante avanço na área da saúde mental.
Para falar sobre sua atuação, conversamos com a psicóloga do Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) de São João del-Rei, Tatiana Detomi. Segundo ela, “o CAPS é um serviço especializado voltado principalmente para situações de crise e sofrimento psíquico intenso. O cuidado se dá por meio de atendimentos individuais, grupos, oficinas, acompanhamento familiar e articulação com a rede pública”.
A psicóloga aponta que existe diferença do CAPS AD – que é voltado para questões de dependência química – para os outros CAPS, mas que todos partem do mesmo princípio: cuidado à saúde mental com dignidade e sem exclusão.
De acordo com a profissional, são realizados mensalmente “centenas de atendimentos entre acolhimentos, grupos, oficinas, atendimentos individuais e familiares” e que a demanda cresce a cada dia, mas que “o aumento da demanda não foi acompanhado pela ampliação proporcional de equipes, estruturas e investimentos públicos”, destaca.
Já sobre o estigma que o CAPS e seus usuários ainda carregam, Tatiana afirma que “piadas, memes e discursos pejorativos não são apenas ‘brincadeiras’. Quando o CAPS é utilizado como ameaça ou insulto, reforça-se a ideia de que o sofrimento mental deve ser escondido, corrigido ou afastado do convívio social.” Isso faz com que as pessoas busquem ajuda apenas em situações extremas por medo do julgamento.
Para ter acesso ao CAPS, basta procurar uma Unidade Básica de Saúde mais próxima para solicitar o encaminhamento ou ir diretamente à uma das unidades. Em São João del-Rei, o Centro fica na Av. Tiradentes, nº 111. Já o CAPS AD está na Rua Maria Campos da Fonseca, nº 15, Colônia do Marçal. Para ambos os centros, o número é 0800 678 2000.
“Falar dessa luta é falar sobre democracia, direitos humanos e defesa da vida”, finaliza a psicóloga.