
A Vigilância Sanitária de São João del-Rei repassou nesta semana alertas às unidades de saúde do município após os recentes casos de intoxicação por bebidas alcoólicas adulteradas no estado de São Paulo. Hospitais, a UPA, a Santa Casa e a Secretaria Municipal de Saúde receberam orientações para ampliar a atenção a possíveis ocorrências.
Segundo a Secretaria da Saúde paulista, já foram confirmados sete casos de intoxicação por metanol, além de 18 suspeitos em investigação. Uma morte foi confirmada na capital, enquanto outras quatro ainda estão sob análise. Os criminosos utilizam garrafas de marcas famosas, como gim, vodca e uísque, adulterando o conteúdo com metanol antes de revender o produto.
Confira os principais sinais de intoxicação por metanol: dor abdominal, visão alterada, confusão mental e náuseas. Esses sintomas podem aparecer entre 12 a 24 horas após a ingestão da bebida.
Em São João del-Rei, nos últimos anos, percebe-se o aumento do número de adegas e lojas de comercialização de bebidas. O ex-presidente da Regional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Cláudio Goddi, a vigilância sanitária “geralmente fiscaliza e inspeciona questões relacionadas à segurança de alimentos, água e outras áreas, além da higiene do estabelecimento. Cabe ao Ministério da Agricultura a fiscalização da produção e distribuição de bebidas”.
Em recente entrevista o Presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci, relata que “há pouca fiscalização por parte do poder público. Há fábricas com irregularidades, e sempre denunciamos. É mais fácil fiscalizar fábricas e distribuidoras do que criar hipóteses de que as pessoas vão passar mal nos bares.”
Ele completa e aponta um dado relevante. “Outro problema são os tributos muito altos, mais altos do que em outros países. Isso acaba criando um estímulo para a falsificação e o contrabando. Nosso país é muito extenso, tem fronteiras permeáveis, e o poder público tem limitação na fiscalização, é um grande desafio. O fato é que deveria haver fiscalização mais frequente, a gente sempre pleiteia isso. Um terço das bebidas com adulteração (segundo dados da USP) é assustador.”
Cabe destacar que a preferência dos criminosos é pelas bebidas mais caras, como gim, uísque, vodka, pois são produtos de valor agregado mais alto.
Solmucci cita algumas precauções que o consumidor e os donos dos bares devem tomar. “É preciso ver se estão comprando as bebidas de um fornecedor ou distribuidor com história de mercado, boa reputação, ver se o preço está equilibrado. Se o preço estiver muito baixo, é preciso desconfiar. Exija a nota fiscal. É preciso também verificar o rótulo e o lacre das embalagens. As falsificações em geral são muito mal feitas, é um lacre torto, um rótulo mal posicionado. Um conselho que damos sempre aos bares e restaurantes é destruir as garrafas das bebidas destiladas, de marcas de maior valor agregado, justamente para que não sejam reaproveitadas.”
Em Minas Gerais, o consumidor pode denunciar a venda de bebida adulterada pelo número 181 (Disque-denúncia unificado), pelo site: www.ouvidoriageral.mg.gov.br, com a assistente virtual pelo Whatsapp: 31 3915-2022 ou pelo aplicativo MG App.