A optogenética, técnica que permite controlar a atividade de células nervosas com estímulos de luz, ganhou destaque mundial após ser reconhecida com o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia de 2026. A metodologia já é utilizada em pesquisas brasileiras para investigar o funcionamento do cérebro e possíveis tratamentos para doenças neurológicas e psiquiátricas.
A farmacêutica são-joanense, Alline Cristina de Campos, que também coordenadora do Laboratório de Farmacologia da Neuroplasticidade da USP, utiliza dessa técnica em suas pesquisas.
Em conversa com nossa equipe, a pesquisadora explicou que, com a optogenética, é possível acionar neurônios específicos e entender o que acontece no cérebro depois dessa ativação. Esse controle permite estudar como determinados circuitos dos neurônios estão relacionados à memória, sentimentos e comportamentos, além de ajudar nas pesquisas sobre transtornos que afetam a mente.
Segundo ela, utilizar uma técnica reconhecida pelo Prêmio Nobel em estudos sobre o cérebro aqui no Brasil, mostra que a ciência brasileira é altamente avançada: “No meu laboratório, nós usamos a optogenética e mais duas outras técnicas que já foram laureadas pelo Prêmio Nobel, que permitiu pela primeira vez que a gente visualizasse neurônios no cérebro.”
A pesquisadora afirma que a optogenética utiliza de conceitos básicos, mas primordiais na ciência: “A optogenética é uma técnica fascinante que usa conceitos muito básicos, que é a luz, que é algo que nós vemos todos os dias, então nós acordamos com a luz do sol, nós usamos a luz para que a gente possa enxergar o mundo, e a optogenética colocou essa luz dentro no nosso cérebro para enxergar como nosso cérebro funciona, como ele controla o nosso comportamento, e como a gente pode usar essa luz nesses neurônios para tentar melhorar a vida de pessoas que sofrem com transtornos psiquiátricos e com doenças neurodegenerativas.”
A expectativa é que, futuramente, pesquisas com optogenética contribuam no desenvolvimento de terapias mais específicas diversas questões mentais, ampliando a qualidade de vida de pacientes e reforçando o papel da ciência brasileira na busca por novas soluções para a saúde.
