
As casas de apostas online têm se tornado cada vez mais populares no Brasil. Conhecidas como bets, essas plataformas aparecem em anúncios na televisão, redes sociais, campanhas com influenciadores e patrocínios esportivos, especialmente no futebol. Apesar da popularização, especialistas alertam para os riscos do vício em apostas.
Em entrevista à Emboabas, a psicóloga Raissa Muffato Salomão explicou que os jogos são estruturados para ativar mecanismos de recompensa no cérebro. Segundo ela, as plataformas utilizam estímulos visuais e sonoros, como luzes, cores e efeitos, que aumentam a sensação de imersão.
Outro fator preocupante é o impacto emocional. O ganho inicial costuma funcionar como uma “isca”, gerando sensação de sorte e poder. Depois, mesmo diante das perdas, a pessoa permanece envolvida emocionalmente e segue apostando.
A psicóloga também destacou o fácil acesso aos jogos: “Hoje o celular está presente o tempo todo na nossa vida, o que facilita o acesso imediato às apostas a qualquer momento do dia que a gente queira. E, além disso, as casas de apostas utilizam muitas estratégias, elas estão sempre se divulgando nas redes sociais, nos e-mails, usam SMS, o que aumenta ainda mais a exposição das pessoas a esse estímulo. Para quem nunca apostou, isso já pode ser um convite muito tentador. E para quem já apostou e está tentando parar, esses estímulos funcionam como um gatilho”, afirmou Raissa.
Entre os sinais de alerta para quem aposta e acredita estar desenvolvendo dependência estão a incapacidade de parar, mentiras sobre o dinheiro gasto, necessidade de apostar valores maiores, irritabilidade ao tentar parar e pensamentos obsessivos sobre apostas.
O vício em apostas é conhecido como ludopatia, um transtorno que pode comprometer a saúde mental, financeira e social do indivíduo. Raissa reforça a importância de reconhecer os sinais do problema e buscar ajuda profissional o quanto antes.