
A escola de samba Vem Me Ver entrou com uma notificação extrajudicial pedindo a reconsideração do resultado do desfile oficial do Carnaval 2026 em São João del-Rei. O principal pedido é a anulação das notas do quesito evolução, que, segundo a agremiação, foram prejudicadas por um tiroteio ocorrido durante a apresentação.
A apuração das notas, realizada na tarde de segunda-feira (16), foi marcada por tensão e confusão. Durante a leitura dos resultados, o tesoureiro da AESBRA, Thiago Bacarense, precisou ser escoltado pela Polícia Militar após protestos. A revolta partiu principalmente da Vem Me Ver, que perdeu 0,4 décimos em evolução e terminou empatada em segundo lugar, com 179,3 pontos, junto com a São Geraldo.
Segundo a escola, a perda de pontos aconteceu porque, no fim do desfile, houve disparos de arma de fogo nas proximidades da avenida. O caso terminou com uma morte. A agremiação afirma que integrantes, incluindo idosos e crianças, precisaram se proteger no momento dos tiros, o que causou desorganização na evolução.
Na notificação, assinada pela representante legal Vanessa Aparecida de Carvalho, a escola argumenta que o caso foi um fato de força maior, imprevisível e fora do controle da agremiação. Também afirma que a AESBRA não teria comunicado oficialmente o ocorrido aos jurados, o que teria comprometido o julgamento.
Entre os pedidos, a Vem Me Ver quer a anulação das notas de evolução, a revalidação de sua pontuação e até a possibilidade de título compartilhado do Carnaval 2026. A escola também questiona a validade do regulamento do desfile, alegando que ele não foi formalmente assinado pelas agremiações.
O clima de protesto continuou após a apuração. A escola não participou do desfile das campeãs na avenida e realizou uma apresentação no bairro do Tijuco, reunindo milhares de pessoas. Na frente do cortejo, diretores carregavam um cartaz com a frase: “Não era falha, era medo!”
Procurado, o presidente da AESBRA informou que a diretoria irá se reunir para analisar a situação e avaliar o pedido da escola.