Cerca de 30 médicos que atuam na UPA 24h de São João del-Rei enviaram, na sexta-feira (16), um ofício urgente à Prefeitura, à Câmara Municipal e à Secretaria Municipal de Saúde denunciando “gravíssimas e inaceitáveis condutas” atribuídas ao então diretor da unidade. Os profissionais relatam um ambiente de trabalho abusivo, humilhante e marcado por pressões, ameaças e interferências em decisões médicas, como alterações de diagnósticos, omissão de exames e pressão para transferência de pacientes, o que poderia comprometer o atendimento à população.
O documento também aponta denúncias de assédio moral, uso de apelidos ofensivos, atitudes preconceituosas e relatos de assédio sexual, que teriam causado medo, desgaste emocional e prejuízos à qualidade do serviço prestado.
No sábado (17), um vídeo envolvendo uma médica da UPA passou a circular nas redes sociais. Nas imagens, ao comentar sobre a possibilidade de aumento salarial, ela recebe como resposta que deveria “trabalhar de biquíni” para “ganhar o que quisesse”, além de comentários considerados ofensivos. A fala foi interpretada como assédio sexual e moral.
Diante das denúncias, a Prefeitura de São João del-Rei determinou a abertura de uma sindicância e o afastamento do diretor por até 60 dias, como medida preventiva. O Município informou que as apurações seguem dentro da legalidade e que não compactua com práticas de assédio. A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou que investiga o caso, que corre em sigilo.
Além do ofício dos médicos, a vereadora Sinara Campos (PV), presidente da Comissão de Saúde da Câmara, protocolou documento apontando irregularidades na UPA, citando possível manipulação de indicadores e omissão de exames, e pediu a abertura de Processo Administrativo Disciplinar. Como medida administrativa, Claudiano Assunção foi nomeado interinamente para chefiar a unidade.
Na terça-feira (20), a Comissão de Saúde realizou reunião extraordinária para discutir o caso e iniciou a coleta de assinaturas para a abertura de uma CPI. Até o momento, três vereadores assinaram o pedido, sendo necessárias mais duas assinaturas para dar início às investigações.
