A comunidade terapêutica do bairro Tijuco, em São João del-Rei, se manifestou após a operação realizada na última sexta-feira, que encontrou problemas estruturais, possíveis crimes e situações de vulnerabilidade entre os acolhidos. O responsável pelo local, Thiago Lima, conversou com a nossa equipe e respondeu ponto a ponto às acusações feitas durante a fiscalização.
Segundo o representante da comunidade, os remédios encontrados sem receita estavam separados para descarte. Ele afirma que os medicamentos pertenciam a internos que deixaram a instituição sem aviso ou que tinham começado a trabalhar e não retornaram. Por isso, não seria possível apresentar receitas atualizadas.
Thiago Lima nega que exista restrição ilegal de liberdade. Ele afirma que todos os acolhidos assinam um termo de permanência voluntária, assim como familiares, quando é o caso. Segundo ele, ninguém é obrigado a ficar e a instituição não teria condições de manter segurança privada ou impedir saídas. Para o responsável, parte das informações divulgadas após a fiscalização não condiz com a realidade.
Sobre a suspeita de retenção indevida de valores, o representante afirma que existe um acordo formal assinado pelos acolhidos ou familiares. Ele explica que os salários de quem trabalha durante o acolhimento são divididos com a instituição para custear alimentação, manutenção e roupas, até que o interno esteja pronto para deixar o local. Ele garante que não há cobrança além do que é combinado.
Quanto às acusações de agressão, ele cita um caso específico, onde um idoso e outro acolhido teriam se desentendido, e um deles acabou ferido com um taco de sinuca. Segundo o relato, o próprio idoso teria confirmado que não houve agressão por parte de funcionários, e sim um conflito entre internos.
O responsável informa que o cão encontrado durante a fiscalização é usado apenas como forma de proteção do espaço, por ser uma área isolada.
Ele confirma que há idosos no local e que alguns não têm família nem para onde ir. Dos cinco acolhidos com mais de 60 anos, dois já estavam em processo de saída, enquanto outros três permanecem na instituição aguardando encaminhamento. Ele afirma que ainda não foi oferecido outro local para que esses idosos sejam levados.
Todo o material recolhido foi encaminhado para a Delegacia de São João del-Rei, onde o caso continua sob investigação. A Vigilância Sanitária deve tomar medidas sobre o funcionamento da instituição, e uma reunião com o Ministério Público foi marcada para decidir o destino dos acolhidos em situação mais frágil.
A comunidade afirma temer o fechamento do espaço, dizendo que muitos internos demonstraram preocupação com o futuro do atendimento.
