A Câmara dos Deputados aprovou, na última quarta-feira, 24 de setembro, o programa “Agora Tem Especialistas”, uma iniciativa do Governo Federal para diminuir a fila de espera por exames, consultas e cirurgias no Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto foi aprovado pela maioria dos deputados, mas o Deputado Doutor Frederico (PRD-MG), que é médico e tem forte ligação com a saúde em São João del-Rei, votou contra a medida.
O programa funciona assim: o SUS faz uma parceria com hospitais particulares. Em troca do atendimento, o Governo oferece créditos tributários, ou seja, dá isenção de impostos aos hospitais que atenderem os pacientes da fila. A ideia é usar até R$ 2 bilhões em dívidas de impostos para financiar o atendimento.
O Doutor Frederico usou as redes sociais para explicar seu voto “NÃO”. Para ele, isentar imposto de “hospital de rico” não resolve o problema e o programa é apenas “propaganda enganosa”. O deputado defende que o Governo deveria usar os recursos do Ministério da Saúde para fortalecer e equipar os hospitais públicos e filantrópicos (como as Santas Casas), sem precisar de barganha ou esquemas com hospitais privados.
Em entrevista nesta segunda-feira (29), o deputado continuou a criticar a MP.
“O problema é que esse projeto não fala quanto vai pagar pelas consultas, quanto vai pagar pelas cirurgias. Ele não entra no problema, não prioriza. Quais são as cirurgias que estão mais atrasadas? São cirurgias de catarata, são cirurgias de quadril? Ele não tem nada nesse sentido. Então, faz um programa extremamente aberto e o resultado é que, da última vez que me informei, eram 4.198. Vou ser honesto: ao me atualizar no programa, vi que são cerca de 4.400 hospitais particulares no Brasil e apenas 192 manifestaram interesse. Não é que aderiram, manifestaram interesse, ou seja, 192 de 4.400 querem olhar o programa para ver se vão aderir. Essa adesão é muito baixa, é menos de 5%. Isso demonstra que é um projeto que já nasce morto, já nasce sem alcançar o objetivo.”
O programa foi aprovado na Câmara e também no Senado e agora espera a decisão do Presidente da República.
A entrevista completa está disponível no YouTube da Rádio Emboabas (link na bio).
