Emboabas

Damae alega que consumo irracional de água afeta a disponibilidade do recurso ao município

Foto: Reprodução/ Pixabay

Já é uma questão rotineira no “Boca no Trombone”, programa transmitido pela 92,7 FM Emboabas Mais Informação. Ouvintes de vários bairros das zonas rural e urbana de São João del-Rei reclamam, todos os dias, por falta d’água e vazamentos.

Na última semana, por exemplo, moradores da Rua Amaral Gurgel, no Matosinhos, relataram que há dias estavam sem água. O mesmo aconteceu na Pedro Farnese, no Bom Pastor, e na Áureo de Paula, na Vila Jardim São José.

O Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto (Damae) já se manifestou em diferentes ocasiões, nos meses de maio e junho, alertando sobre a grave crise hídrica enfrentada pelo país. Disse que os mananciais que abastecem a cidade estão em níveis extremamente baixos, o que tem obrigado a autarquia a controlar a distribuição de água. Tanto que foi iniciado um racionamento por tempo indeterminado. Diariamente, entre 17h e 20h, as bombas de abastecimento são desligadas em todas as regiões.

O consultor e auditor do Damae, doutor Paulo Giovanni Giarola, alega que, além da crise hídrica, existe outro preocupante problema no município: o gasto irracional de água. Em entrevista à Radio Emboabas, explicou que a Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda o consumo diário de, em média, 150 litros de água por pessoa. No Brasil, a distribuição média diária de água tratada por pessoa é de 180 litros. Os números são bem diferentes do que, segundo o auditor, é fornecido pelo Damae.

“Apesar de não ter uma micromedição, ou seja, não saber o quanto cada casa, cada ponto comercial e industrial consome de água isoladamente, o Damae consegue medir pelo volume de água bombeado pelos mananciais e pelo volume que é tratado. Hoje, disponibilizamos a cada cidadão são-joanense uma média de 430 litros de água por dia. Isto é, três vezes mais do que é a média nacional”.

Complementou dizendo que o consumo sem consciência dos moradores das partes baixas da cidade afeta os que estão nas partes mais altas. “Como as pessoas pagam um valor certo, elas não têm um controle do consumo de água que é feito. Então, de um lado nós temos a Serra do Lenheiro e do outro, a de São José. Essa água é tratada e distribuída. Em muitos pontos mais baixos, a água chega com mais facilidade. Mas se o recurso hídrico não é consumido de modo adequado, não vai sobrar água para chegar aos pontos mais altos. É uma lógica”.

O consumo inadequado do recurso hídrico não deixa de ser uma reclamação constante no “Boca no Trombone” também. Ouvintes já questionaram vizinhos que passam longos períodos do dia com a mangueira d’água aberta limpando muros, calçadas e ruas.

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